Meu filho se compara com outras crianças e desiste de tentar

Niño de unos cinco años observando desde un lado a otros niños jugando en el parque mientras un adulto lo acompaña agachado a su altura, sin empujarlo a participar

Fazia dez minutos que ele tentava dar uma cambalhota no colchonete. Toda tentativa terminava de lado, e toda tentativa terminava em risada. Até que chegou outro menino e fez a cambalhota inteira de primeira. Aí ele sentou. E quando você disse para continuar, respondeu que já não estava a fim.

A cambalhota não ficou mais difícil nesse meio-tempo. O que existe agora é alguém na frente que já sabe fazer.

Por que ele para de tentar

Surpreende a velocidade com que ele abandona uma coisa que um minuto antes estava divertindo.

Visto de dentro, faz bastante sentido. Enquanto ninguém sabia fazer, cada tentativa falha era parte da brincadeira. Assim que aparece alguém que sabe, essa mesma tentativa falha passa a provar alguma coisa. E aí parar de tentar deixa de ser desistir e vira se proteger: se eu não tentar, não fica provado que eu não sei.

Por isso o "vai, mais uma vez, você consegue" bate e volta tantas vezes. Você está pedindo exatamente aquilo que ele acabou de decidir que não vai fazer, e pelo mesmo motivo que o levou a decidir.

Ele sentou e não pensa em se mexer

Vamos começar pelo momento constrangedor, que é o que você tem na frente: ele sentou, tem gente em volta e você não pode simplesmente levá-lo para casa.

Aí o que funciona melhor é uma das poucas coisas que não custam nada: deixar quieto. Um "tudo bem" tranquilo, sem cara de decepção e sem negociação, e seguir com o que você estava fazendo. Se você insiste, confirma para ele que aquilo era importante e que ficou evidente. Se você faz um discurso sobre esforço, a mesma coisa.

E se ele ficar olhando os outros, deixe olhar o tempo que quiser. Nessa idade, observar é uma forma legítima de participar, e é bem comum uma criança passar uma tarde inteira olhando e na semana seguinte fazer de primeira, sem aviso. Olhar faz parte do aprendizado, não o contrário.

O que vale a pena é não dar o assunto por encerrado. A nova tentativa não é ali; é em outro lugar e sem plateia, e voltamos a isso mais abaixo.

Três respostas que costumam piorar a situação

Todo mundo fala essas frases, e elas saem justamente no pior momento: com o outro filho puxando o seu braço e meio parquinho olhando. Estão aqui porque vale a pena reconhecê-las, não para apontar o dedo para ninguém.

"Você também vai chegar lá." É verdade e ajuda pouco. Você oferece um consolo que mora num futuro que ele não enxerga, enquanto o problema está na frente dele agora. E de quebra confirma o que ele teme: que hoje, de fato, ele está atrás.

"Não fica se comparando." Você pede que ele pare de sentir uma coisa que já está sentindo. Além disso, ensina que se comparar é errado, então na próxima vez que acontecer ele vai guardar para si em vez de te contar.

Comparar de volta. "É, mas você corre mais rápido que ele." Sai com toda a boa intenção do mundo e reforça justamente o que a gente queria desmontar: a ideia de que a gente vale conforme a posição em que fica em relação aos outros. Hoje ele ganha. Amanhã, com outra criança e outra habilidade, perde pelo mesmo critério.

Mudar a régua

O que move alguma coisa é mudar contra quem ele se mede. De "ele e eu" para "eu agora e eu há pouco".

Soa abstrato e se faz de um jeito bem concreto: dizendo em voz alta o que ele acabou de conseguir, no instante exato em que consegue. "Você ficou de pé mais tempo do que antes." "Dessa vez você chegou até a metade." E sem esperar que saia inteiro.

Uma criança que está aprendendo alguma coisa quase nunca enxerga o próprio avanço, porque mede contra o resultado final e o resultado final continua longe. Alguém de fora precisa contar para ela o pedaço de caminho que já andou.

Tirar a plateia

Tem uma coisa que quase sempre dá para mudar e que a gente costuma esquecer: quem está olhando.

Uma criança que empacou na frente dos primos volta a tentar na sala de casa quando não tem ninguém. Isso não é teimosia nem manipulação: o custo de errar muda muito conforme quem está vendo, e para ela esse custo é real.

Menina de uns quatro anos praticando equilíbrio sozinha, apoiada no sofá da sala, sem ninguém olhando

Então, antes de insistir, experimente mudar o cenário. Em casa, sem espectadores e sem ninguém esperando a vez. O que ele conseguir ali vai junto quando tiver gente na frente de novo.

E se, além disso, o primeiro passo que você propõe ficar abaixo do que dá medo nele, melhor ainda. É disso que fala Meu filho tem medo de tentar coisas novas.

Não é cedo demais para isso acontecer?

É a pergunta que quase sempre aparece, principalmente com os menores.

As crianças comparam quantidades muito antes de comparar capacidades. Quem tem mais biscoitos, ou de quem é o copo maior: isso já dá para notar por volta dos dois ou três anos. Comparar a si mesmo exige algo mais difícil, que é se olhar de fora com os olhos de outra pessoa, e no desenvolvimento típico isso se firma mais tarde, entre os cinco e os sete anos.

Essas idades são uma referência aproximada, não um calendário. Uma criança de quatro anos com um irmão mais velho pode chegar a essa conclusão muito antes do que outra de seis que não tem com quem se medir em casa.

O caso dos irmãos

A comparação entre irmãos merece um parágrafo à parte, porque ela não acaba quando acaba a aula de natação. Mora em casa, em tempo integral.

Ali pesam pouco as comparações que fazemos em voz alta, e pesa bem mais a que a criança faz sozinha, só por ter a referência na frente o dia inteiro. Com essa última não dá para fazer muita coisa, salvo duas coisas concretas.

Não usar o mais velho como unidade de medida. O "seu irmão na sua idade já dormia sozinho" escapa com facilidade e aterrissa como uma nota baixa.

Procurar momentos sem comparação possível. Não precisa de atividade extracurricular nem de uma tarde livre: valem dez minutos na cozinha enquanto o outro está no banho, fazendo algo que seja dele e que o irmão não esteja fazendo melhor a dois metros de distância.

E quando quem aperta é o grupo inteiro e não uma criança específica, o mecanismo muda um pouco: passa de "ele sabe e eu não" para "todo mundo faz menos eu". É disso que a gente fala em Quando todo mundo faz.

Uma história em que ninguém promete que ele vai chegar lá

Em A Borboleta Corajosa, Alina sai da crisálida com umas asas novas enormes e fica paradinha no galho. Em volta dela voa o jardim inteiro: as libélulas cruzam o ar como flechas, as abelhas vão de flor em flor sem hesitar nenhuma vez. Ela olha e chega à conclusão de sempre: elas sabem voar e eu não.

Quem chega perto dela é Zumbi, um abelhão peludo que voa em ziguezague e pousa francamente mal. A primeira coisa que ele faz é contar que ele também não voa como os outros. Em nenhum momento promete que um dia ela vai voar como as borboletas grandes; diz que o jeito dela de voar vai ser o dela.

Os passos pequenos vêm depois, e funcionam porque a essa altura ninguém está mais se medindo com ninguém. É uma boa história para ler com uma criança que ficou sentada no colchonete.

A Borboleta Corajosa

A Borboleta Corajosa

Descobrindo a confiança passo a passo

Alina é uma jovem borboleta que acabou de se transformar e tem umas asas novas e lindas, mas sente medo de as usar pela primeira vez. Com a ajuda do seu amigo Zumbi, um abelhão sábio e paciente, Alina descobre que a confiança se constrói passo a passo e que atrever-se a tentar é o primeiro grande voo.

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No próximo post: a criança que exige de si mesma muito mais do que qualquer pessoa exige dela.

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