Quando todo mundo faz: como ensinar seu filho a ser fiel a si mesmo mesmo quando o grupo pensa diferente

Niño pequeño que se queda un paso por detrás de un grupo de niños en una fiesta mientras un adulto lo acompaña a su altura con calma, sin empujarlo a sumarse

É uma festa de aniversário e todas as crianças se jogaram na mesma coisa. Não importa o quê: a brincadeira que alguém começou, o lanche que de repente todos pedem ao mesmo tempo. Todas menos a sua, que fica meio passo atrás, olhando, sem acabar de entrar na roda. Ou o contrário: ela entra, faz o que os outros fazem e, já no carro de volta, te diz bem baixinho que na verdade não estava com vontade.

Essa cena tem duas versões e as duas inquietam. Se seu filho fica de fora, você se pergunta se ele tem dificuldade de se relacionar. Se ele se deixa levar, você se pergunta se saberá dizer não quando realmente importar. Faz pouco tempo falamos sobre como acompanhar uma criança que hesita diante do novo; isso se parece, mas o freio já não vem só de dentro. Agora tem um grupo puxando, e se sustentar quando todos vão para o outro lado é uma das coisas mais difíceis que a gente aprende, inclusive quando adulto.

Por que se encaixar pesa tanto nessa idade

A necessidade de pertencer a um grupo é uma das mais básicas que nós, seres humanos, temos. Não é capricho nem fraqueza: durante muitíssimo tempo, para a nossa espécie, ficar de fora do grupo era um problema sério de sobrevivência. Costuma-se explicar que por isso o cérebro registra a rejeição social de um jeito parecido com uma ameaça real; seja totalmente assim ou não, o que se vê é que para uma criança importa muitíssimo o que os outros fazem, e que se encaixar dá a ela uma sensação de segurança importante.

Por volta dos três anos, além disso, seu filho começa a se dar conta do grupo. Antes ele brincava ao lado de outras crianças; agora ele as observa, compara e quer fazer o que elas fazem. Esse olhar para o outro é o motor de um monte de aprendizados bons: é assim que ele aprende a compartilhar, a esperar a vez e tantas outras coisas de estar com os demais. Querer se parecer com os outros é, na maior parte do tempo, sinal de que ele está se socializando bem.

O que ainda falta a ele é a balança. Uma criança pequena sente o puxão do “faça como o grupo”, mas ainda tem pouca prática em colocar num prato esse puxão e no outro o próprio gosto. Quando os dois se chocam, muitas vezes o grupo ganha sem que ela perceba que cedeu. Ela se dá conta depois, com aquele incômodo difuso de ter feito algo que não queria.

Quando ceder é aprender e quando vale a pena olhar de perto

Vale tirar o peso de uma coisa: uma criança fazer às vezes o que o grupo faz não é fracasso nenhum. Experimentar uma brincadeira que ela não teria escolhido sozinha, ou deixar de lado por um tempo o que é dela para estar com os outros; isso também é conviver, e aprender a conviver passa por ceder de vez em quando. Uma criança que nunca se adapta a nada também não tem vida fácil.

Ceder de vez em quando não é o problema. O que vale olhar de perto é outra coisa: quando seu filho abandona uma vez e outra o que quer só para não ficar de fora, quando diz que adora algo que em casa detesta dependendo de com quem está, ou quando volta de estar com outras crianças apagado, como se tivesse deixado algo pelo caminho. Aí ele já não está aprendendo a conviver; está aprendendo que o gosto dele vale menos que o do grupo. E essa é a ideia que a gente não quer que fique na cabeça dele.

O que ajuda de verdade

Também não se trata de seu filho bater o pé contra todo mundo. A meta é mais modesta: que ele aprenda a perceber quando está cedendo e possa escolher com um pouco mais de liberdade. Algumas coisas que ajudam:

Dê nome ao que ele sente. Ajuda muito que seu filho aprenda a reconhecer o puxão antes de se deixar levar. Você pode dizer isso em palavras simples: “às vezes a gente faz algo só porque os outros fazem, mesmo sem vontade; isso acontece com todo mundo”. Saber que essa sensação tem nome dá a ele um pequeno empurrão para parar e pensar da próxima vez.

Dê a ele um jeito de dizer não. Muitas vezes a criança cede porque não encontra a maneira de recusar sem passar vergonha diante dos outros. Dar a ela um par de frases prontas tira esse aperto: “assim não, obrigado”, “eu prefiro este”. Não precisa de um discurso inteiro: com uma saída curta e educada ela já sente que dizer não é uma opção de verdade.

Pergunte mais do que explica. Quando algo aconteceu assim, em vez de dar a lição (“você não precisa fazer o que todos fazem”), pergunte com calma: “você estava com vontade mesmo?”, “como você se sentiu depois?”. As perguntas devolvem a atenção dele para o que ele mesmo sentia. O sermão faz o contrário: diz o que sentir em vez de ajudar a perceber.

Respeite os “nãos” pequenos dele em casa. A confiança para sustentar um “não” lá fora se treina dentro de casa. Se em casa as preferências dele contam (que camiseta vestir, do que brincar, quando um abraço sim e quando ainda não), seu filho internaliza que aquilo que ele quer importa. É difícil pedir que ele bata o pé diante do grupo se no dia a dia ele aprende que a opinião dele sempre se dobra à do adulto. Ouvir os “nãos” razoáveis dele não o transforma em quem manda em casa, só ensina que a opinião dele também conta.

Cuidado com os rótulos. Na frente dele, frases como “ele é muito na dele” ou “esse só faz o que ele quer” parecem inofensivas, mas ficam. As do outro lado também: “é molenga, deixa todo mundo mandar nele”. É mais útil descrever o momento do que definir a pessoa: “hoje você teve dificuldade de dizer não”, em vez de pendurar nele um rótulo que depois ele carrega.

Olhe para o seu próprio exemplo. As crianças aprendem mais com o que veem do que com o que a gente fala. Se elas veem você ceder sempre para evitar o atrito, ou mudar de opinião dependendo de quem está na frente, aprendem que é isso que se faz. Não precisa virar inflexível; basta que elas vejam você, de vez em quando, sustentar com tranquilidade algo que pensa mesmo que não seja o mais popular da mesa.

Quando olhar mais de perto

A maioria desses vaivéns se equilibra sozinha à medida que a criança ganha experiência e segurança. Ainda assim, vale saber onde está a linha. Se seu filho fica muito angustiado ao se separar do grupo, se evita brincar com outras crianças por medo de errar, ou se o mal-estar por não se encaixar dura e afeta o dia a dia dele, vale uma conversa com o pediatra ou com a escola. Não para rotulá-lo, mas para descartar que haja algo mais por trás e para que alguém dê uma mão a vocês se for preciso.

Menina sorridente numa festa de aniversário que aproveita uma fatia de melancia enquanto as outras crianças comem o mesmo bolo de chocolate, à vontade com a sua escolha diferente

O que Herbi aprende

Em A pequena vitória, acontece exatamente isso com a Herbi. Herbi é uma dinossaura que não gosta de cacau, e acontece que todos os outros dinossauros da idade dela são loucos por ele: é a coisa mais gostosa da floresta, o que se come nas festas, o que todo mundo pede. Ser a única que não gosta faz ela se sentir estranha, como se tivesse algo de errado com ela.

Numa festa de aniversário, com o bolo de cacau na frente e todos aproveitando, Herbi fica dividida entre comê-lo para ser como os outros ou escutar o que sente e se atrever a dizer que ela não gosta. O avô dela, Otto, não a obriga nem a corrige: acompanha sem julgar e deixa espaço para ela se escutar. E então Herbi descobre duas coisas: que pode dizer “eu não gosto disso” sem que o mundo acabe, e que não era a única com gostos diferentes. É uma história pensada para aqueles dias em que uma criança sente que ser diferente é um problema, e mostra a ela, através de Herbi, que se atrever a sustentar aquilo de que a gente gosta é, também, uma pequena vitória.

A pequena vitória

A pequena vitória

Uma história sobre ser fiel aos teus gostos

Herbi é uma jovem dinossauro que não gosta de cacau. Isto faz com que se sinta diferente porque todos os outros dinossauros da idade dela adoram tudo o que é feito com as sementes de cacau e acham que é «o melhor da floresta».

Ler esta história infantil na app Semillita

Existe um terreno onde essa pressão do grupo aparece bem cedo: o do “isso é de menina” e “isso é de menino”. As cores, os brinquedos e as brincadeiras se enchem de rótulos muito antes do que a gente imagina. No próximo artigo falamos sobre como acompanhar seu filho para que ele escolha o que gosta, sem que um “isso não é para você” decida por ele.

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